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Vida Urbana
Em todas as partes do mundo, guardadas as características de cada região, verificou-se acentuado processo de migração do campo para as cidades. Algumas cidades, pelo volume da população, constituiram-se nas megalópoles, onde convivem milhares ou até mesmo milhões de pessoas heterogêneas, com acentuado crescimento dos problemas urbanos.
Um dos maiores dramas urbanos encontra-se na escassez de moradia, sobretudo nas grandes cidades, o que é agravado, no Brasil, por grande número de problemas sócio-econômicos. O Banco Nacional da Habitação, que começou muito bem, foi desvirtuado, chegando a financiar a construção de mansões em detrimento da construção de casas populares e para a classe média. Com a inflação crônica, de triste e recentíssima memória, ficou atrelado a índices defasados, levando ao inevitável desmoranamento do Sistema Fianceiro da Habitação, cujo desfecho foi o próprio fechamento do Banco.
Hoje há um deficit habitacional de cerca de quinze milhões de moradias, o que só poderá ser sanado, como reconhecem os técnicos especializados, com o completo saneamento das finanças públicas e a estabilização da economia, pois é indispensável a participação do Estado na construção de casas populares.
São consequências da desordenada migração campo-cidade, atrelada à falta de moradias, a expansão das favelas e dos cortiços e o aumento das pessoas que simplesmente moram na rua.
Dentro deste contexto, tomou impulso, nos últimos quinze anos, o movimento organizado dos moradores, cabendo lembrar que a FAMERJ (Federação das Associações de Moradores do Rio de Janeiro) liderou, no início da década de 80, milhares de ações judiciais contra o já então combalido Sistema Financeiro da Habitação, diante da grande defasagem, que, em determinada época, se verificou entre os salários e as prestações da casa própria. E note-se que a razão para o fracasso do sistema, que em determinada época chegou a ter prestações altas, foi a própria diferença, contra si, na média, entre seus custos e o retorno do financiamento. Assim, no fim, a inflação prejudicou de todos os lados as parcelas mais carentes da população. Hoje instituições como a FAMERJ, que vieram a assumir postura política partidária, se encontram em franca decadência. Persistem as associações de ruas e bairros, que têm tido importância fundamental na preservação ambiental.
De outro lado, cresceu a importância dos condomínios dos edifícios e casas, que passaram a se organizar, a se profissionalizar, e hoje têm grande presença comunitária. Merecem destaque instituições como a Câmara Comunitária da Barra da Tijuca, formada por cerca de 200 condomínios. Para o seu presidente, Delair Dumbrosck, "os condomínios administram também pessoas. Não podemos discutir apenas questões práticas como esgoto e sinalização." (Jornal do Brasil - 21.10.94). A Barra da Tijuca possui uma verdadeira "geração-condomínio", em decorrência do grande número de condomínios fechados, com clubes, escolas e toda a infra-estrutura, que vem recebendo atenção redobrada, como a prevenção às drogas e à violência, e o estímulo ao esporte, à cultura e ao diálogo com os pais. Cabe também registrar a presença, no mesmo bairro, da Barralerta, formada por lideranças locais, que se preocupam principalmente com a segurança, já tendo doado vários veículos para o policiamento.
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