Introdução
Nos dias presentes, sobretudo nas grandes cidades, é crescente a violência, em todos os sentidos. E cada vez mais as pessoas procuram ficar em casa, saindo menos, em busca de segurança. Esse fenômeno tem, pelo menos, um lado positivo, que é o aprimoramento da vida em família e, mais ainda, da vida comunitária. A maioria da população vive em condomínios, passando a viver mais em convívio com os seus vizinhos.
Nesse contexto assume grande importância a constante procura pela harmonia e a interação, que são difíceis, devido à origem diferenciada e heterogênea dos vários moradores. Na verdade, tem assumido papel relevante o trabalho de mediação entre os vizinhos, principalmente nos grandes edifícios de apartamentos. Essa mediação, feita pelo síndico, pelo conselho, por comissões de moradores ou por empresas especializadas, procura reduzir o trabalho do Judiciário. Também o Juizado de Pequenas Causas vem solucionando muitos conflitos.
O nosso maior especialista na matéria de condomínio, CAIO MÁRIO DA SILVA PEREIRA, autor do projeto da Lei 4.591/64, sempre lembra, em suas palestras, os três "c" mais comuns nos edifícios: "cano", "cão" e "carro". Realmente constituem esses os três problemas mais frequentes nos edifícios: saber se a infiltração decorre de tubulação (cano) do prédio ou dos apartamentos; resolver a situação das pessoas que insistem em ter seus cães em casa, apesar da proibição das convenções ou dos regimentos internos; as constantes discussões sobre furtos de carros, colisões na garagem, e, nos prédios mais antigos, a convivência entre poucas vagas e grande número de automóveis. Alguns ainda acrescentam mais um "c", que constitui alegria para uns e dor de cabeça para outros: "criança".
Este trabalho procura situar tais questões no contexto da vida urbana, diante da escassez de moradia, dos problemas dos grandes centros urbanos, e da concentração de casas e prédios em condomínio, que cada vez aumentam mais, formando pequenas cidades cercadas (às vezes sitiadas). Atenção especial é dedicada ao síndico, que é hoje, afinal, o epicentro da vida comunitária. Este manual é dedicado ao síndico, que perde horas, dias e meses do seu trabalho particular e do seu lazer, para se dedicar ao bem-comum e quase sempre é mais criticado do que elogiado
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