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Jornal do Brasil
Imóveis, 4/07/2004


É preciso cautela na compra

Especialistas ensinam a desconfiar de ofertas muito vantajosas e pagar o menor sinal

NATHALIA WATKINS

O crescimento das vendas de imóveis financiados diretamente pelo incorporador também exige mais cuidado por parte dos compradores, já que boa parte do pagamento é feita antes de o imóvel estar concluído. Basta lembrar casos como o da Encol, que faliu em 1997 e deixou 710 prédios inacabados e 42 mil famílias com prejuízos.

Problema parecido foi enfrentado por Benedito Sampaio, de 55 anos. Ele vendeu um apartamento no Flamengo para poder morar "num lugar bonito, seguro e tranquilo". Com o dinheiro, comprou um apartamento na Barra da Tijuca, que ficaria pronto em seis meses. O edifício, no entanto, acabou abandonado pela construtora, já extinta.

Os compradores recorreram à Justiça para retirar as empresas da operação e retomaram as obras por conta própria. Foi caro, trabalhoso e os imóveis, que deveriam ter sido entregues em 1998, só ficaram prontos no ano passado.

Depois de mais cinco anos de aluguel extra, Sampaio comemora este mês o primeiro aniversário da casa nova. No mesmo condomínio, ainda há quatro edifícios para serem terminados, com atraso de oito anos.

Depois desse episódio, eu seria muito mais cauteloso ao realizar uma compra. Vasculharia todo o histórico da empresa, verificaria todos os registros. Tudo para não viver este inferno de novo - desabafa.

Cautela é exatamente o que prega o advogado Hamilton Quirino, especialista em direito imobiliário, para evitar problemas com a compra.

É sempre aconselhável não ficar impressionado com as grandes vantagens apresentadas nos estandes de vendas.

Outra medida importante é levantar no Registro Geral de Imóveis a situação do prédio.

Opinião semelhante tem Carlos Maranhão, consultor da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi).

Toda compra de bem que só será entregue no futuro é mais complicada e requer mais cuidado. Principalmente se as condições parecerem excessivamente favoráveis. Se a esmola é demais o santo desconfia - diz.

Hamilton Quirino também sugere que se restrinja ao máximo o valor da antecipação.

Pagar o menor sinal possível. Em caso de problemas, o prejuízo é menor - diz.

Os especialistas ainda acrescentam que nunca é demais ouvir pessoas que já tenham comprado imóveis da construtora, que está fazendo a obra, para saber até onde vai o grau de confiabilidade e credibilidade da empresa. Além de consultas ao Procon para verificar se há reclamações contra a empresa.

Mesmo com os riscos, muitos compradores acabam sendo atraídos pelo marketing e tomando a decisão de forma quase imediata, com medo de perder a oportunidade. Foi o caso do professor Mauro Pereira, de 57 anos. Depois de receber um prospecto num sinal de trânsito, ele foi até o posto de venda da empresa e fechou, na hora, negócio no valor de R$ 190 mil.

Já estava lá, sem burocracia, com taxas semelhantes às praticadas pelos bancos e sem problemas - explica Mauro que não se arrepende. Já está com as chaves do apartamentos de dois quartos que comprou em Botafogo para dar de presente para o filho.