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Jornal Folha de São Paulo
São Paulo, 23 de dezembro de 2007
Folha Imóveis


Terceirização no prédio

Responsabilidade por contas de água e energia deve ser indicada.
Contrato tem de explicitar obrigações de manutenção


DA REPORTAGEM LOCAL

Não apenas o serviço em si deve ser alvo do contrato entre condomínio e empresa. A conservação do espaço, alugado ou não, também deve ser contemplada, para evitar prejuízos, como aconteceu em um prédio em Santo Amaro (zona sul). "Um fornecedor deixou a lanchonete em péssimas condições. Tivemos de trocar instalações e pintar", reclama o consultor de recursos humanos Manoel Nunes Neto, 52, conselheiro do condomínio.

"Um contrato bem amarrado deve determinar que, ao final do serviço, o espaço seja devolvido em boas condições", diz. Se o espaço não for alugado, o advogado Bernardo Drummond Gonçalves, 26, recomenda fazer contrato de comodato, evitando o risco de usucapião -quando o imóvel é adquirido por sua posse pacífica e ininterrupta durante certo tempo. Também deve ser especificada qual parte -condomínio ou empresa- deverá pagar contas de energia elétrica, água, gás e fará a limpeza, aponta a professora do curso de administração de condomínios da FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas), Rosely Schwartz, 50.

No prédio de Luiz Mutuano, a conservação é dividida: o condomínio fornece material de pintura, e a mão-de-obra é por conta da empresa.

O advogado Hamilton Quirino, 58, sugere cuidado especial com aparelhos de ginástica e cita o caso de um instrutor que comprou os equipamentos. "Mas um novo síndico quis trocar de professor, e o condomínio acabou comprando-os."

Staff 5 estrelas
Há seis anos, o condomínio gerenciado por Marli Almeida, 43, no Morumbi (zona oeste), aluga o salão de beleza com infra-estrutura elétrica e hidráulica. Limpeza e conservação são responsabilidade da empresa.

Além do salão, recreação, aulas de esporte, administração, vigilância, portaria e limpeza são terceirizadas. A gerente calcula que 300 funcionários (dez diretos) circulem diariamente pelo condomínio. Para evitar assaltos, têm circulação restrita e usam uniforme e crachá.

"Os funcionários devem ter a postura de um staff de hotel cinco estrelas. Para se aperfeiçoarem, eles passam sempre por reciclagem." (DF)