Visite também ProHouse Administradora de Bens Ltda
|

Jornal O Globo
Rio,domingo, 27 de fevereiro de 2005
Morar Bem
Bulhões deixa de ser uma incorporadora
LUCIANA CASEMIRO
A Bulhões Carvalho da Fonseca, tradicional empresa do ramo de construção civil do Rio de Janeiro companhia está deixando de ser incorporadora - e concentrando sua atividade simplesmente na prestação de serviço de construção.
A Bulhões Carvalho da Fonseca, tradicional empresa do ramo de construção civil do Rio de Janeiro, está mudando. A companhia está deixando de ser incorporadora - responsável pela compra do terreno, desenvolvimento do projeto de construção e comercialização - e concentrando sua atividade simplesmente na prestação de serviço de construção, outra atividade que já exercia. Por conta disso, há mais de um ano não faz lançamentos. Período, aliás, em que vem buscando, em parceria com os compradores, solução para as sete obras que tinha iniciado, mas que não tiveram seus prazos de entrega cumpridos.
Os problemas da empresa começaram, dizem seus executivos, porque todo o seu planejamento de lançamentos se baseava no programa de crédito da Caixa Econômica para a classe média que, em 2001, foi interrompido. A Bulhões não tinha, então, como se financiar: o crédito, que era direto da CEF para o mutuário, parou de ser liberado.
- Como não havia outra alternativa de financiamento e as pessoas não tinham uma renda planejada para assumir um encargo desse sem crédito, precisamos nos reestruturar - explica Celso Fonseca, que é filho de um dos sócios da empresa e está à frente do processo de reestruturação.
Obras por administração foi a solução encontrada
Nem a expectativa de que, em 2005, os agentes financeiros batam o recorde em crédito habitacional faz Fonseca rever a posição da empresa:
- Decidimos não contar mais com financiamentos e resolvemos discutir com os compradores uma solução para o problema, que seria transformar a obra de incorporação para regime de condomínio. O que quer dizer que os proprietários financiam a construção com recursos próprios pelo seu custo, sem o lucro do incorporador.
Foi necessário mais de um ano para montar está operação, conta Fonseca, acentuando que das seis obras em andamento, duas já estão com acordos fechados. As demais ainda estão em fase de negociação.
São prédios que têm, em média, 30 unidades, todos com um atraso de cronograma de, pelo menos, um ano, informa o o advogado Hamilton Quirino, representante dos proprietários. Ainda segundo Quirino, as negociações com a empresa têm sido amigáveis. Na avaliação do advogado, a alternativa de realização das obras por administração, com a saída da figura do incorporador, é a melhor solução para esses casos:
- É uma forma de perder menos: quando há atraso na obra, todos perdem. Esse tipo de solução deu muito certo, por exemplo, no caso da Encol.
Fonseca, no entanto, faz questão de dissociar o que se passa com a Bulhões do que aconteceu com a Encol:
- Não estamos falidos e nem vamos falir. A família optou por honrar as entregas e mudar o foco do negócio. Avisamos nossos fornecedores da mudança. Agora, seremos prestadores de serviços na área de construção. Nós somos engenheiros e vamos continuar construindo.
Terreno está sendo passado para o nome do condômino
Segundo Quirino, atualmente, o foco do trabalho é resolver a situação jurídica dos terrenos dos empreendimentos. Ou seja, a titularidade do terreno deixa de ser da incorporadora e passa para os condôminos, de acordo com a sua fração ideal. Tudo para garantir que possíveis problemas financeiros da empresa não contaminem o patrimônio dos compradores.
- Estamos chamando os condôminos de todos os empreendimentos e os organizando para que possamos retomar as construções - informa o advogado.
|
|
|