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Jornal Folha de São Paulo
São Paulo, 14 de agosto de 2005
Imóveis
Gestão Condominial
Checar antecedentes da administradora, do síndico e do zelador evita rombo nas contas do prédio
EDSON VALENTE
DA REPORTAGEM LOCAL
O esquema de corrupção que mais preocupa a vendedora H. L., 48, que não quis se identificar, não está ligado ao governo, mas sim a sua própria casa. Ela suspeita que exista uma "máfia" que desvia as verbas do seu condomínio e faz com que a mensalidade aumente.
"Existem contas com atraso de mais de um ano", relata. Há indícios de uma parceria nessas atividades, envolvendo administradora, síndico e até moradores. "Eles mantêm muitos gastos em sigilo."
Fraudes como essa são as piores conseqüências possíveis de uma má gestão do condomínio. Existem outras, como irregularidades trabalhistas ou fiscais, geradas por desconhecimento ou por desorganização dos gestores.
Para minimizar o risco de se deparar com esses problemas, especialistas recomendam cautela na eleição dos governantes do condomínio: a tríade formada por administradora, síndico e zelador.
Seu mau desempenho pode colocar o orçamento do prédio no vermelho. "No caso de desconfiança de fraude, o morador deve enviar uma carta, via cartório, para o síndico, exigindo prestação de contas de itens suspeitos e determinando um prazo de dez dias para a resposta", sugere o advogado imobiliário Luiz Kignel, 40.
"Se o síndico e o conselho não aceitarem, pode-se entrar com uma ação judicial para exigir uma auditoria externa das contas", orienta Hamilton Quirino, diretor da Abami (associação de advogados imobiliários). Se comprovada a fraude, síndico, conselheiros e administradora poderão sofrer ação judicial por perdas e danos.
Referências
Contratar uma boa administradora é o primeiro passo para uma gestão eficiente. Como as contas do prédio passam por ela, aumenta o cerco para coibir falhas ou até más intenções do síndico.
A escolha pede cotação com ao menos três empresas. "Não é recomendável basear-se só no preço", diz Claudio Anauate, presidente da Aabic (associação de administradoras). "É preciso checar os serviços inclusos no contrato."
Ele aconselha que a administradora seja filiada à Aabic ou ao Secovi (sindicato da habitação).
Devem-se ainda "solicitar referências bancárias e checar antecedentes criminais dos sócios", afirma Maria Lúcia Abdalla, sócia da administradora Oma. E "visitar a sede e conversar com síndicos de prédios já gerenciados pela empresa", lembra Anauate. "É preciso saber há quantos anos ela atua e a tecnologia que emprega -se há contas on-line, por exemplo."
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