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Jornal O Globo
Rio,domingo, 03 de julho de 2005
Morar Bem
O golpe do falso aluguel
LUCIANA CASEMIRO
Um golpe mais comum do que se imagina está crescendo no Rio, deixando no prejuízo muita gente de boa-fé. É que há pessoas na cidade se fazendo passar por proprietários de imóveis, ou representantes destes, que oferecem um apartamento para alugar por preços, normalmente, abaixo do mercado. Preço que pode chegar à metade do valor. Estelionato típico. Só que, diante de tamanha vantagem, não são poucos os que sucumbem à tentação. A cena final deste thriller é um pedido de depósito: para quem cai, não há final feliz; é dinheiro perdido mesmo. E ponto final.
O combate ao golpe é dificultado, diz o presidente da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi), George Eduardo Masset, porque a maioria das pessoas que caem no conto do vigário não registra queixa por vergonha de admitir que foi enganada:
- No início deste ano, eu mesmo fui chamado à delegacia para prestar esclarecimentos sobre um caso assim. O candidato a inquilino tinha depositado dinheiro na conta de um suposto proprietário e, só depois, se deu conta de que a minha empresa administrava o imóvel. Ele registrou ocorrência, mas não conseguiu reaver o dinheiro que fora levado pelo golpista.
O analista de sistema Cleverson Fargiani escapou por um triz dessa cilada. Morador do Posto 6, ele foi atraído a um apartamento, na Rua Nossa Senhora de Copacabana, pelo preço do aluguel, que era de R$ 300, metade do que paga no seu quarto-e-sala. A chave estava na portaria, e a única orientação do intermediário, com quem ele fizera contato por telefone, era não comentar nada com o porteiro:
- Para justificar o pedido, disse que, apesar de o imóvel ser administrado por uma imobiliária, estava tentando alugá-lo por conta própria porque o proprietário, seu amigo, precisava de dinheiro logo. Por isso, inclusive, estaria pedindo um valor abaixo do mercado.
Apartamento visto e aprovado, Fargiani fez contato com o suposto dono, que morava em Vitória e que pediu uma caução de três aluguéis. No dia marcado para fechar o contrato, o tal proprietário ligou e pediu adiantamento de parte do depósito porque estaria sem dinheiro para vir ao Rio:
- Aí percebi que era um golpe. Voltei ao prédio e procurei o porteiro, que me disse que não existia proprietário em Vitória e que não era a primeira vez que tentavam um golpe do tipo num apartamento ali.
Há quem só descubra a fraude depois de mudar
Diante de histórias como essas, o presidente da Abadi faz questão de ressaltar que, ao receber uma oferta por preço muito abaixo do mercado, a ordem é desconfiar:
- Não existem milagres. Todo preço tem negociação. Mas, quando a diferença é muito grande, é preciso desconfiar. Isso não significa, no entanto, que esse seja o único atrativo desse esquema: há quem aplique o golpe pelo valor de mercado mesmo.
Segundo o advogado Hamilton Quirino, há histórias de pessoas que chegam a se mudar para imóvel que foi alugado por intermédio de um contrato frio. São casos, por exemplo, que acontecem com apartamentos que ficam fechados por muito tempo para inventário. E o inquilino ainda pode ser acusado de invasão:
- Se for alugar de particular, é preciso conhecer o dono e checar a documentação.
E para quem já caiu no golpe, a orientação do advogado é registrar a ocorrência na delegacia. Desta forma, estará ajudando a desfazer a quadrilha.
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