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Jornal Folha de São Paulo
São Paulo, 04 de setembro de 2005
Imóveis
Pesquisa mostra corretor mais graduado

Mais da metade dos profissionais fez curso superior; em nove anos, a porcentagem de mulheres foi de 8% para 21%

EDSON VALENTE
DA REPORTAGEM LOCAL

Quem procura um corretor tem boa probabilidade de se deparar com um profissional com curso superior e chances cada vez maiores de negociar com mulheres. Esses são alguns dos resultados do recenseamento de corretores realizado pelo Cofeci (Conselho Federal de Corretores de Imóveis) com 112 mil profissionais.
A pesquisa mostra que o perfil do corretor é o de um profissional com curso superior e autônomo, e que o número de mulheres que exercem a profissão mais do que dobrou nos últimos nove anos.
O estudo não incluiu quem não tem cadastro no conselho. "São cerca de 80 mil", diz João Teodoro da Silva, presidente do Cofeci.
Os corretores diplomados somam 51,2% no país -eram 27% em 1996. O ranking das formações de nível superior é liderado pelo curso de direito -33,6% dos corretores bacharéis fizeram essa faculdade (veja quadro). "Quem não tem instrução acadêmica acha difícil acompanhar alterações rápidas da legislação", raciocina José Augusto Viana Neto, 54, presidente do Creci-SP (conselho regional de corretores).
Hamilton Quirino, 56, diretor da Abami (associação de advogados imobiliários), lembra que o conhecimento mais aprofundado do corretor faz com ele adquira o status de consultor. "Pode desaconselhar a aquisição se houver dívidas ou pendências legais."
Para Alexandre Tirelli, 34, diretor jurídico do Sciesp (sindicato de corretores), a formação superior é dispensável. "O curso técnico em transações imobiliárias [obrigatório para os associados dos Crecis e do Cofeci] qualifica."

Mais mulheres
A advogada Rosangela Campagnolo, 36, corretora há cinco anos, enquadra-se no perfil. "O comprador quer um profissional com conhecimento além do dele, como o de documentos do bem." Ela também faz parte de outro perfil que cresceu nos últimos nove anos. As mulheres, que respondiam por 8% dos filiados ao Cofeci, passaram a somar 21%.
Há quem veja vantagens na "invasão feminina". "O corretor vende a casa. A corretora vende o lar. A mulher tem maior sensibilidade e facilidade de comunicação", define Viana Neto. "Ela analisa aspectos de comodidade e de praticidade a que o homem não se atém", observa Campagnolo. Outra variável abordada pelo censo foi a renda. A pesquisa aponta que 23,77% ganham de R$ 1.000 a R$ 2.000.
Os que trabalham em imobiliária põem no bolso 1% do valor de venda de um lançamento e 2,5% de um usado, diz Feliciano Giachetta, da consultoria FGI.